Família é a primeira linha de proteção às crianças – Comunhão

Exploração infantil, redes digitais e vulnerabilidade familiar expõem crianças a riscos silenciosos e exigem vigilância ativa dentro de casa
Por Patrícia Esteves
Todos os dias somos bombardeados com notícias sobre exploração e abuso infantil. A discussão sobre exploração de crianças das mais diversas formas voltou a ganhar força após a exposição de escândalos internacionais, como a divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein, e a repercussão de produções como Sound of Freedom. Para a pastora Ana Ruziska, porém, o problema não pode ser tratado como algo distante ou restrito a outras realidades.
“ A exploração dos pequenos é uma realidade para a nossa vida hoje”, afirma. Ao mencionar casos envolvendo redes organizadas e figuras públicas, ela sustenta que há estruturas criminosas que se aproveitam da vulnerabilidade social e familiar. “São redes organizadas que se aproveitam da vulnerabilidade das famílias”, diz.
Na avaliação da pastora, o cenário atual é mais complexo do que o enfrentado por gerações anteriores. “O risco hoje não é mais aquele de atravessar a rua. É algo que não entra na nossa mente, no nosso coração”, diz. Ela descreve um contexto em que a violência se esconde em ambientes considerados seguros. “Nós vivemos em uma geração em que crimes invisíveis acontecem atrás de portas fechadas, nas redes sociais, em ambientes aparentemente seguros, que podem ser dentro da nossa casa”, lembra.
Vulnerabilidade emocional e aliciamento
Segundo Ana, o aliciamento raramente começa de forma explícita. “O aliciamento começa com uma conversa. Elas se aproximam, ganham confiança, criam segredos e isolam emocionalmente a criança”, explica. Ela ressalta que, em muitos casos, o agressor já faz parte do convívio. “A maioria envolve pessoas próximas, familiares”.
A pastora também aponta fatores que ampliam o risco, como ausência parental, sobrecarga de trabalho e desestruturação familiar. “Há falhas, há negligências, há estruturas que nem sempre funcionam como deveriam”, afirma. Para ela, a carência afetiva é um elemento decisivo. “Quando a criança acha alguém que olhe para ela com atenção, ela se doa, ela acredita”, lamenta.
Presença, diálogo e vigilância
Ana defende que a proteção infantil não pode ser terceirizada. “Nós não podemos terceirizar totalmente a proteção dos nossos filhos. Precisamos abrir os olhos”, declara. E relativiza a confiança excessiva em mecanismos externos. “Câmeras não substituem presença. A escola não substitui o acompanhamento da família. A igreja não substitui o diálogo que deve existir em casa”, assevera.
Entre as medidas práticas, a pastora destaca supervisão da internet, acompanhamento das amizades, ensino claro sobre consentimento e atenção a mudanças de comportamento. “O primeiro sistema de segurança de uma criança é o vínculo dela com os pais”, afirma.
A dimensão espiritual, segundo ela, deve caminhar com responsabilidade concreta. “Nós devemos orar, sim, mas também precisamos vigiar. Toda oração deve ser acompanhada de ação”, convoca para a prática. Para a pastora, fé e prevenção não são opostas, mas complementares. “Cuidar é amar. Estar presente é proteger”, finaliza.
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