Americanos presos em Israel relatam fé em meio ao conflito

A viagem, inicialmente planejada como uma peregrinação para aprofundar a fé, transformou-se numa luta pela segurança e retorno ao lar
Makailynn Clark, cidadã americana atualmente retida em Jerusalém junto com seu marido e mãe, compartilhou sua experiência angustiante. A viagem, inicialmente planejada como uma peregrinação para aprofundar a fé, transformou-se numa luta pela segurança e retorno ao lar.
Makailynn e seu marido, Calvin, são membros da Influence Church, em Anaheim Hills, Califórnia. Ao ficarem retidos em Israel, Makailynn entrou em contato com a igreja e com o American Faith para relatar sua história e pedir ajuda e orientação para enfrentar a situação.
Uma jornada de fé que virou crise
Em conversa exclusiva, Clark explicou que a viagem tinha um significado muito pessoal e espiritual: “Esta é minha terceira vez em Israel, a segunda do meu marido e a primeira da minha mãe. Todos temos um grande amor pela região, e eu quis levar minha mãe para que a Bíblia ganhasse vida em 4D para ela, despertando ainda mais nossa paixão pelo país e seu povo.”
A família chegou cheia de esperança para vivenciar experiências transformadoras na Terra Santa, mas os planos de retorno foram interrompidos após os ataques dos EUA e Israel ao Irã, que provocaram retaliações no território sagrado.
O voo original estava marcado para a manhã de sábado, 28 de fevereiro. Enquanto aguardavam próximo ao portão, uma hora antes do embarque, sirenes de ataque aéreo romperam o silêncio.
Clark relatou o pânico: “Corríamos para a sala segura do aeroporto enquanto os israelenses gritavam ‘Não, não, não!’, pois sabiam que a guerra havia começado.”
Ao sair do abrigo, um anúncio informou o fechamento do espaço aéreo e ordenou a evacuação imediata do Aeroporto Ben Gurion, com passageiros sendo retirados sem qualquer orientação.
O fato de ser Shabat dificultou ainda mais o transporte. Apenas alguns poucos taxistas árabes estavam disponíveis, e não havia ônibus ou trens. Centenas de pessoas se aglomeravam, desesperadas por uma carona diante da ameaça dos mísseis. Clark descreveu a situação: “Vi apenas cerca de 10 táxis em meio a centenas de pessoas.” Em meio ao caos, seu marido encontrou um motorista que ia para Jerusalém. Eles imploraram para embarcar, acomodando oito pessoas no carro, algumas sentadas no chão.
Foi um momento providencial: “Pela graça de Deus, fomos a primeira parada… quando chegamos ao hotel, começou o primeiro ataque de mísseis, e corremos para dentro.”
Desafios e solidariedade em meio ao conflito
No sexto dia da guerra, o espaço aéreo israelense continua fechado, aumentando o isolamento da família. Muitos americanos tentam sair por terra, atravessando a Jordânia ou o Egito, rotas que Clark classificou como perigosas. A viagem para o Egito dura cerca de quatro horas sem abrigos. Figuras como Mike Huckabee desaconselham a passagem pela Jordânia.
Apesar de estarem em um hotel seguro em Jerusalém com acesso a abrigo antimísseis, Clark destacou a situação difícil para muitos: “Muitos americanos economizaram para uma viagem única à Terra Santa e agora não têm alternativa a não ser fugir para países árabes perigosos por causa do alerta STEP (Smart Traveler Enrollment Program).”
O descontentamento entre americanos em Israel é grande, independentemente da posição política.
Clark ressaltou a contradição nas mensagens do governo dos EUA: alertas urgentes à meia-noite para “SAÍDA IMEDIATA DE TODOS OS PAÍSES DO ORIENTE MÉDIO”, mas sem opções reais de evacuação.
Ela comentou a ironia entre os israelenses: “Como vocês querem que a gente saia? De tapete mágico?”
Clark criticou os alertas do STEP, que parecem transferir a responsabilidade para os viajantes, com links de ajuda quebrados e orientações genéricas como “abriguem-se no local” ou planejem rotas próprias, por exemplo, ônibus para o Egito, que a Embaixada dos EUA não endossa nem reprova. Essas rotas envolvem transporte por conta própria até pontos de coleta, atravessias manuais de fronteira anotadas em cadernos, multas de vistos variáveis e bilhetes escritos à mão em aeroportos egípcios sem sistema informatizado.
Imagem fornecida por Makailynn Clark para American Faith Media
Ela expressou preocupação profunda: “Amamos a América e apoiamos um Irã livre, mas sentimos que nosso governo está empurrando as pessoas para decisões perigosas por causa do pânico.” Relatos de milhares de judeus e cristãos atravessando países muçulmanos aumentam o receio de possíveis ataques, tornando muitos relutantes em seguir por essas rotas.
O ambiente é uma mistura de medo, resistência e solidariedade inesperada. Clark compartilhou histórias de sua comunidade no abrigo antimísseis, onde as pessoas duvidam do apoio dos EUA caso fujam para Egito ou Jordânia: “Se os EUA não nos ajudam diretamente em Israel, não terão controle sobre nós nesses países.”
Embora a mídia divulgue resgates, a realidade é diferente: “É desanimador ver notícias dizendo que as pessoas estão sendo ajudadas e resgatadas. Mas cada americano em Israel está por sua conta, com recursos próprios e assumindo riscos.” Mesmo com a reabertura do espaço aéreo, a companhia El Al prioriza seus clientes até o final de março, e muitas companhias estrangeiras evitam a região.
Um caso marcante é o de uma família judaica ortodoxa com cinco crianças pequenas em seu abrigo. Com voos cancelados e a El Al sem possibilidade de remarcação, enfrentam semanas adicionais em Israel sem ajuda de voos charter americanos. Financeiramente apertados em um hotel pequeno, receberam ajuda da mãe de Clark, comissária da Delta, que tentou estender passes de acompanhante, embora a Delta priorize seus próprios passageiros retidos.
Comovida pela gratidão da família — “vocês não são normais!! Por que estão nos ajudando?” — Clark vê um movimento de reconciliação que lembra o evangelho: “Nossos irmãos judeus estão sendo reconciliados com os cristãos em meio ao caos.” Eles formaram círculos de oração, criaram laços com amigos judeus, celebraram um bar mitzvah e o Purim no abrigo, lendo os Salmos em meio aos alertas de mísseis. “Apesar da incerteza e das orientações conflitantes e arriscadas dos EUA, Deus está usando isso para unir seus filhos e para que os gentios amem o povo escolhido.”
Clark fez um apelo urgente, não só para sua família, mas para todos os americanos presos em Israel: “Por favor, continuem a orar por um auxílio rápido e seguro para os americanos retidos. Precisamos de voos charter assim que o espaço aéreo abrir! Voos comerciais serão muito difíceis e caros para a maioria.”
Em meio à crise, momentos de fé e solidariedade — como os círculos de oração, celebrações compartilhadas e o bar mitzvah no abrigo — revelam a resiliência humana mesmo diante da adversidade.
Suas palavras finais foram um clamor: “DEUS ABENÇOE A AMÉRICA, DEUS ABENÇOE ISRAEL! POR FAVOR, AJUDEM JUDEUS E CRISTÃOS A VOLTAREM PARA CASA!”
Este artigo foi publicado originalmente por American Faith e republicado com permissão. (Com informações de Sarah Wagner/American Faith – Mycharisma)
Acesse agora a Loja Podicas no Mercado Livre e descubra produtos incríveis para o dia a dia.







