53% das famílias brasileiras não leem para crianças
Levantamento internacional acende alerta sobre impactos da ausência dos livros no desenvolvimento infantil brasileiro
Por Cristiano Stefanoni
Um levantamento internacional divulgado nesta semana pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou um cenário preocupante sobre os hábitos de leitura na primeira infância no Brasil: 53% das famílias brasileiras nunca ou raramente leem livros para crianças de 5 anos.
Os dados são referentes às crianças matriculadas na pré-escola nos estados do Ceará, Pará e São Paulo. O índice coloca o país muito distante da média internacional observada pela pesquisa.
A pesquisa analisou o desenvolvimento infantil e o ambiente familiar de milhares de crianças brasileiras, buscando compreender como fatores sociais e educacionais impactam o aprendizado nos primeiros anos de vida.
Outro dado que chamou atenção foi a baixa frequência da chamada leitura compartilhada dentro das famílias. Apenas 14% dos responsáveis afirmaram ler para as crianças entre três e sete vezes por semana.
No cenário internacional, a média registrada para esse hábito chega a 54%, quase quatro vezes superior ao índice brasileiro. Especialistas apontam que o contato frequente com livros nos primeiros anos contribui diretamente para o desenvolvimento da linguagem, da criatividade e da capacidade cognitiva.
A pesquisa ouviu famílias de 2.598 crianças distribuídas em 210 escolas dos três estados avaliados. Cerca de 80% das instituições participantes pertencem à rede pública de ensino.
O Brasil foi o único país da América Latina incluído nesta edição do levantamento internacional, que reúne dados sobre aprendizagem e bem-estar infantil em diferentes nações.
Os resultados também reforçam como as desigualdades sociais impactam o acesso à leitura dentro de casa. Em muitas famílias, a ausência do hábito está relacionada à falta de tempo, à baixa escolaridade dos responsáveis e até mesmo à escassez de livros disponíveis no ambiente doméstico.
Pesquisadores alertam que essas barreiras podem comprometer o desempenho escolar das crianças já nos primeiros anos da alfabetização.
Além de medir habilidades cognitivas, o estudo da OCDE buscou compreender aspectos emocionais e sociais das crianças brasileiras.
Os dados devem servir como base para futuras políticas educacionais voltadas à redução das desigualdades e ao fortalecimento da aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
Para especialistas, o desafio agora é transformar os números em ações concretas, antes que a ausência dos livros na infância continue deixando marcas silenciosas em toda uma geração.
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