o alicerce invisível da família cristã – Comunhão

Ao orar persistentemente pelos filhos, mães constroem legado espiritual, equilibram aspirações acadêmicas com compromisso com Deus
Por Patrícia Esteves
Desde cedo, muitas famílias vivem a tensão de conciliar ambições acadêmicas, sucesso profissional e, ao mesmo tempo, a responsabilidade espiritual sobre seus filhos. Mais do que nunca, é importante saber sobre o papel da oração maternal como algo central, não místico, mas real, na formação de caráter, no enfrentamento de crises e na preservação da fé.
Reverendo Hernandes Dias Lopes, em sua pregação “Palavra da Verdade”, propôs uma analogia bíblica para ilustrar o que ele chama de “orar na brecha”. “Busquei entre eles um homem, que tapasse o muro, e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse, mas a ninguém achei”, citou ele Ezequiel 22:30. Segundo Hernandes, Deus procura mães que se coloquem na brecha, em favor de seus filhos, aquelas que dediquem tempo para intercessão espiritual, mesmo dentro de agendas corridas.
A expressão “colocar-se na brecha” sugere assumir um papel ativo, não apenas desejar o bem dos filhos, mas meditar, clamar, perseverar, orar com propósito, consciente de que nem sempre as mudanças vêm de imediato, mas que a oração é parte de um processo espiritual contínuo.
Exemplos bíblicos e históricos
Hernandes Dias Lopes recorre a várias narrativas bíblicas para embasar sua visão. Ele lembra de Abraão intercedendo por Sodoma, Moisés pela nação de Israel, Josafá defendendo Jerusalém em jejum e oração. “Deus muda circunstâncias, Deus transforma pessoas, Deus liberta cativos, Deus cura enfermos, Deus salva vidas, em resposta a oração do seu povo”, afirma.
Segundo ele há exemplos de mães da história cristã: Susana Wesley, que orava uma hora por dia com a porta de seu quarto fechada; Mônica, mãe de Agostinho, que orou por trinta anos; Ana, que consagrou Samuel a Deus. Em todas essas histórias, o pastor aponta não o protagonismo dos filhos ou pressões sociais, mas o compromisso espiritual da mãe, perseverante e fiel.
Um ponto de reflexão apresentado por ele é que muitas famílias hoje têm ambições legítimas para os filhos, como boas escolas, diplomas respeitados, sucesso financeiro. Ele reconhece que tais aspirações “são legítimas” mas afirma que está faltando um tipo de coragem diferente, a de consagrar os filhos para Deus, de orar para que eles sejam espíritos formados, pessoas com valores, e não apenas bens ou status.
Ao consagrar, a mãe reconhece uma dependência espiritual, reconhece que nem tudo está sob seu controle, que há fatores invisíveis, espirituais, culturais, emocionais, influências que escapam ao planejamento acadêmico ou profissional.
Hernandes também destaca que, às vezes, a oração materna não produz sinais exteriores imediatos, mas age no interior: no caráter, na alma, nas escolhas. “Todas as músicas malignas serão rejeitadas pelos ouvidos do meu filho, e apenas as músicas que vêm do trono do Pai trarão alívio”, exemplifica.
Desafios reais
Não se pode ignorar os desafios. Tempo escasso, cansaço, dúvidas sobre eficácia da oração são frequentes. Hernandes observa que hoje “Estamos ocupados demais para nos ocuparmos com Deus, nessa geração, nós estamos correndo demais, para nos aquietarmos, diante de Deus, em oração”.

Outro ponto é emocional, pois orar por filhos que tomam caminhos difíceis ou distantes da fé pode gerar sofrimento, frustração, sentimento de impotência. É esse tipo de oração que exige perseverança, orar quando não se vê mudança visível, orar quando se sente que talvez a voz de Deus demore a responder. Hernandes afirma que “Deus está procurando mães, que não desistam, jamais de orar por um milagre na vida dos filhos”.
O pastor Josué Gonçalves afirma que é possível montar uma estratégia para manter-se firme na oração com os filhos. Ele demonstra isso em passos:
– reservar momentos específicos do dia ou da semana para orar pelos filhos, mesmo que seja pouco tempo
– orar intencionalmente pelos sentidos, caráter e influências
– cultivar exemplos visíveis de fé, para que os filhos percebam que essa prática tem lugar importante na vida da casa
Segundo ele, essas práticas tendem a gerar maior vínculo emocional familiar, maior sentido de segurança espiritual para os pais, e mudanças de comportamento nos filhos quando eles reconhecem ou convivem com essa atmosfera de oração.
Quando uma mãe se coloca “na brecha”, ela assume o risco de orar sem ver imediatamente a resposta, “a luta é longa, o tempo parece drenar força, mas a tradição mostra que os frutos invisíveis de caráter, fé, resiliência, discernimento, virão”. Talvez o que esteja faltando seja não desistir de ver o milagre de Deus na vida dos filhos mesmo quando só a oração parece operar, invisivelmente, concluem os pastores.
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