Canção Auê: sucesso e controvérsia

Após repercussão nas redes, grupo Candiero explica inspiração cultural e proposta teológica atrás da música
Por Karina Garcia
A canção “Auê (A Fé Ganhou)”, do Coletivo Candiero, voltou ao centro das atenções após repercussão nas redes sociais e debates no meio evangélico sobre linguagem, ritmo e referências culturais presentes na música. Em meio às discussões, a música ganhou força nas plataformas digitais, alcançando posições de destaque em rankings e ultrapassando a marca de 1 milhão de visualizações em menos de dez dias no YouTube. Agora, integrantes do grupo se pronunciam para explicar o significado da obra e a proposta artística por trás da composição.
Contexto rápido da polêmica
Lançada inicialmente como parte do álbum “O Grande Banquete”, a música passou a ser alvo de críticas por parte de algumas pessoas que questionaram o uso de termos populares, nomes comuns como “Zé” e “Maria” e ritmos inspirados na cultura brasileira, incluindo elementos de samba e da ciranda. Nas redes sociais, parte do público interpretou essas referências como uma mistura entre o ambiente de adoração cristã e símbolos culturais considerados controversos por setores mais tradicionais.
Por outro lado, apoiadores da canção defenderam a proposta como uma expressão legítima da fé dentro da realidade cultural brasileira, destacando a diversidade de linguagens presentes na música cristã contemporânea.
Apesar das críticas, “Auê (A Fé Ganhou)” registrou crescimento nas plataformas digitais. O clipe da música ultrapassou 1 milhão de visualizações em menos de dez dias após o lançamento e chegou ao 7º lugar entre os vídeos musicais em alta no Brasil. No Spotify, a faixa também entrou nos charts virais nacionais e passou a integrar playlists de destaque, ampliando o alcance do projeto para além do público que já acompanhava o coletivo.
Em resposta às discussões, o compositor Marco Telles explicou que a inspiração para a música surgiu durante uma visita do grupo a um centro cultural indígena dos pataxós, na Bahia. Segundo ele, a palavra “auê”, utilizada na canção, tem origem no tupi-guarani e significa “festa”.
De acordo com o artista, a escolha do termo representa a comemoração da salvação cristã dentro da identidade cultural brasileira.
“É o jeito do brasileiro celebrar aquilo que temos de mais precioso, que é a nossa salvação”, afirmou, destacando que a proposta da música é expressar a fé a partir das experiências culturais do país.
A cantora Ana Heloysa, uma das vozes presentes na faixa, também comentou as interpretações sobre os nomes citados na letra. Segundo ela, “Zé” e “Maria” representam pessoas comuns e refletem a universalidade do convite do evangelho.
A artista relacionou os versos à ideia bíblica de celebração no céu quando alguém aceita a fé cristã, ressaltando que elementos como o samba e a ciranda foram utilizados como símbolos de alegria e comunhão presentes na cultura brasileira.
Proposta artística e identidade do coletivo
Fundado em 2019, o Coletivo Candiero reúne artistas de diferentes estados do Nordeste e afirma desenvolver seu trabalho a partir de três pilares: coragem estética, responsabilidade teológica e criatividade poética. A música integra o projeto “O Grande Banquete – Ao Vivo em João Pessoa”, gravado diante de cerca de 1.500 pessoas e lançado gradualmente nas plataformas digitais.
Segundo os integrantes, a proposta busca explorar novas formas de expressão dentro da música cristã, dialogando com ritmos, linguagens e símbolos brasileiros.
O debate em torno de “Auê (A Fé Ganhou)” evidencia tensões recorrentes dentro da música gospel entre tradição e inovação. Ao mesmo tempo em que provoca questionamentos sobre limites estéticos e culturais do louvor, o caso também revela um movimento crescente de artistas que buscam expressar a fé cristã a partir de referências locais e da pluralidade cultural brasileira.
Assista ao clipe de “auê (a fé ganhou)” de Coletivo Candieiro no youtube:
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