A geração que sofre em silêncio – Comunhão

A geração que sofre em silêncio – Comunhão


Entre redes, pressões e solidão, cresce o número de jovens da geração Z que tiram a própria vida, e os cristão são chamados a serem abrigo e voz de esperança

Por Patrícia Esteves

Nos últimos anos, o tema do suicídio entre adolescentes e jovens adultos, especialmente da chamada geração Z, tem despertado uma atenção. Em uma era marcada pela hiperconectividade e pela aparente liberdade de expressão, nunca se falou tanto e se ouviu tão pouco. Sob o peso das comparações, das pressões sociais e da solidão emocional, muitos jovens têm experimentado um sofrimento silencioso, que não encontra espaço seguro de acolhimento nem dentro de casa.

Para o psicólogo Francisco Regio, diácono no Ministério Mudança de Vida, em São José do Rio Preto/SP, o ponto de partida dessa crise está na ruptura do vínculo entre pais e filhos. “A questão sempre está voltada à afinidade, ao acolhimento, ao amor, ao respeito e à reciprocidade dos dois e como os dois precisam ter confiança”, explica.

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Segundo ele, a quebra de confiança, somada à distância geracional, tem levado ao afastamento. “E esse afastamento, que muitos acreditam ser natural na adolescência, pode ser um sinal de sofrimento”, alerta.

Quando minimizar a dor fere ainda mais

Frases como “você tem tudo, por que está triste?” ou “isso é bobagem” soam como violência psicológica para quem já está fragilizado. “Os pais precisam entender que, quando o filho não é respeitado em seu sentimento, ele se fecha e perde a confiança”, acrescenta. Regio enfatiza que acolhimento e escuta são atitudes que salvam vidas.

“O principal fundamento chama-se confiança, ternura, acolhimento dos pais a toda e qualquer situação. Às vezes, o filho não quer relatar o que sente porque acredita que o problema dele é uma bobagem. Quando o pai desvaloriza o pensamento do filho, o vínculo se rompe. Então, o que precisa ser dito aos pais é: acolham seus filhos, amem seus filhos, resgatem a confiança”, diz.

A escuta que abre caminhos

“Quando o jovem se sente ouvido, a dor perde força”, afirma. Para o especialista, toda vez que o jovem se sente acolhido, ele abaixa a guarda. “Quando você pode confiar em alguém, se abre. E aí o tratamento, seja psicológico, seja espiritual, pode começar. Mas, sem acolhimento, o sofrimento só aumenta”.

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A cultura atual, no entanto, criou uma barreira geracional. “A sociedade separou: ‘meus filhos lá, eu aqui’. Cada geração vive a sua bolha. Existe muita dispersão de pensamento quando, na realidade, deveria haver conexão”, observa Regio.

Segundo ele, essa distância também alimenta a vergonha. “A dificuldade de falar de sentimentos muitas vezes envolve questões de sexualidade ou comportamentos que o jovem teme compartilhar. E quando isso não encontra espaço dentro de casa, ele se isola ainda mais”, lamenta.

A dor que não cabe em palavras

Regio explica que, em muitos casos, o suicídio surge como último recurso percebido diante de uma dor que parece insuportável. “Quando uma pessoa está com um pensamento suicida, ela acredita que já se esgotaram todas as outras possibilidades. Na cabeça dela, eliminar a dor é o único caminho. É uma ideia fixa, um pensamento que toma conta”, diz.

Por isso, ele reforça a importância do diálogo, do acolhimento e do acompanhamento profissional, sem esquecer da espiritualidade. “A base espiritual é fundamental nesse processo todo, junto com a conexão familiar”, destaca.

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O perigo do afastamento “natural” das gerações

Muitos pais interpretam o distanciamento dos filhos como algo normal do crescimento, mas o psicólogo faz um alerta. “A naturalidade do afastamento é muito perigosa. O que se acredita ser apenas consequência da idade, muitas vezes é um sinal de sofrimento”, diz.

Segundo ele, frases como “não se meta na minha vida” ou “quero minha privacidade” podem esconder um pedido de ajuda. “Às vezes o jovem tem tudo, uma boa família, uma boa condição financeira, mas acredita que não merece ser amado. Ele cria essa crença, e isso o afasta dos pais”, acrescenta.

Mais do que oferecer respostas, o desafio dos adultos é permanecer presentes. Em um tempo em que a pressa e o cansaço roubam o espaço da escuta, a ternura se torna resistência.

“O acolhimento, a confiança e o amor recíproco são o alicerce da saúde emocional. A espiritualidade vem como força, mas ela floresce dentro de vínculos saudáveis. É aí que começa a verdadeira prevenção”, conclui Regio.

Os dados mostram que a Geração Z enfrenta uma crise silenciosa. Entre 2014 e 2024, o suicídio se tornou uma das principais causas de morte entre jovens, e no Brasil, as taxas também têm mostrado crescimento gradual, especialmente entre adolescentes. Para o psicólogo Francisco Regio, a estatística ganha rosto humano na dor de cada jovem.

Os números alertam, mas a presença sensível de pais, educadores e líderes espirituais pode fazer a diferença. Cada gesto de atenção pode ser a ponte entre a escuridão e a esperança.

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Fonte original

PHS GOSPEL

A Rádio PHS Gospel nasceu na internet em 02 de maio de 2012, com o propósito de evangelizar por meio da música gospel e levar a Palavra de Deus a pessoas de todo o Brasil.

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