Psicóloga cristã denuncia ameaça de morte por críticas ao CFP

A profissional Larissa Lima, declaradamente seguidora de Jesus Cristo e, portanto, sendo uma psicóloga cristã, utilizou suas plataformas digitais para se manifestar acerca da onda de reações provocadas por seus questionamentos direcionados a uma normativa editada pelos conselhos da categoria, a qual versa sobre o princípio da laicidade na atuação profissional.
De acordo com seu relato, a discussão extrapolou as fronteiras do debate técnico-jurídico e descambou para a esfera da agressão pessoal, culminando, inclusive, em advertências de atentado contra sua integridade física.
“Há indivíduos proferindo ameaças de ceifar minha existência em decorrência deste tuíte”, declarouao exibir a mensagem que originou a celeuma, na qual registrou:
“No contexto brasileiro, um psicólogo pode se autoproclamar esquerdista, feminista, decolonial, mas não pode se intitular cristão. E não me refiro aqui ao exercício de uma vertente confessional da psicologia, mas sim à prerrogativa de um especialista anunciar em seus canais: ‘olhem, eu professo a fé cristã’.”
A psicóloga cristã esclareceu que a norma em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) tem por objeto a análise da constitucionalidade ou validade da referida resolução. Apesar de reconhecer méritos no dispositivo, a profissional aponta que um fragmento específico do texto cerceia a possibilidade de o profissional fazer menção às suas convicções religiosas ao divulgar seus serviços.
“O regramento contém diversas diretrizes acertadas, contudo, há um inciso que veda ao psicólogo valer-se de suas crenças particulares para promover sua atividade laboral. Na concretude dos fatos, isso equivale a proibir que o psicólogo se identifique publicamente como cristão”, argumentou.
A terapeuta frisa que o cerne da controvérsia não reside na tentativa de instituir uma abordagem clínica denominada “psicologia cristã”, mas sim no direito elementar de um cidadão e profissional declarar sua identidade religiosa, ainda que em seus perfis de uso particular nas mídias sociais – ou seja, em sua esfera pessoal!
Larissa acrescentou que também responde a questionamentos no âmbito do conselho regional de sua classe, sob a alegação de utilizar indevidamente o discurso religioso como isca para angariar clientela. Ela refuta veementemente tal acusação, enfatizando que seu espaço virtual tem finalidade estritamente privada.
“Meu perfil é de natureza pessoal. Não há qualquer endereço eletrônico que direcione para agendamento de consultas. É meu ambiente individual, onde abordo aspectos da existência, da profissão e, com frequência, temas pertinentes ao universo cristão, o que inclui, naturalmente, a esfera da saúde mental.”
A condução clínica de pacientes adeptos do Cristianismo
Outro tópico abordado pela psicóloga cristã diz respeito à condução ética de pacientes cristãos que vivenciam tensões entre os ditames de sua crença e questões relativas à sexualidade. Em sua ótica, a postura do terapeuta deve ser pautada pela estrita deferência aos princípios e à autonomia do indivíduo assistido, abstendo-se de impor qualquer cartilha ideológica ou moral externa.
“Se o paciente é cristão e, em consonância com os preceitos de sua confissão, decide pela prática do celibato, não cabe ao psicólogo contestar ou deslegitimar tais convicções espirituais. O dever do clínico é acolher e respeitar o arcabouço de valores e a fé daquele que busca auxílio.”
A profissional lamentou ter sido alvo de rotulações que considera levianas e dissociadas de sua prática clínica real. “Fui tachada de homofóbica, de criminosa, e chegaram a me acusar de promover a chamada ‘cura gay’. Já afirmei, em inúmeras ocasiões, que não deposito crédito algum nessa ideia. A reversão da orientação sexual pela via terapêutica é um mito, não encontra respaldo científico.”
Nesse mesmo diapasão, Larissa fez questão de realizar um exercício de autocrítica em relação ao segmento religioso ao qual pertence. Ela reconheceu a existência de um passivo de falhas graves cometidas por indivíduos que se declaram cristãos, sobretudo no trato dispensado à comunidade homossexual.
Ela mencionou a existência de narrativas de jovens expulsos do convívio familiar por pais religiosos e de episódios flagrantes de hostilidade e preconceito praticados em nome da fé.
Para a especialista, tais experiências traumáticas auxiliam na compreensão do atual clima de animosidade e rechaço enfrentado pelo Cristianismo em determinados círculos sociais.
“O cenário que presenciamos hoje é, em larga medida, uma resposta reativa às condutas equivocadas perpetradas no passado. Isso não legitima, em absoluto, as agressões ou ameaças sofridas, mas lança luz sobre as razões pelas quais o Cristianismo se tornou alvo de tamanha aversão contemporânea.”
A onda de solidariedade e o clamor por justiça
A repercussão do caso de Larissa ganhou contornos ainda mais amplos após a intervenção do pastor Rafael Nery, que divulgou um conteúdo audiovisual em solidariedade à profissional. No vídeo, o líder religioso expôs a dimensão dos ataques cibernéticos, das tentativas de intimidação e das diligências para cassar o registro profissional da psicóloga.
De acordo com Nery, Larissa estaria sendo submetida a uma verdadeira execração pública unicamente por professar sua fé de maneira conciliada com o exercício da psicologia.
“Uma psicóloga está enfrentando uma campanha de difamação e linchamento virtual em solo brasileiro, trucidada por milhares de internautas, apenas por ser, simultaneamente, psicóloga e cristã”, denunciou o pastor.
Nery trouxe a lume diversas mensagens de teor hostil endereçadas à terapeuta. As correspondências eletrônicas exibidas continham insultos de baixo calão, advertências ameaçadoras e manifestações inequívocas de intolerância religiosa.
“Você é merecedora de toda sorte de infortúnio”; “Crentes deveriam ser todos exterminados”; “Espero que cancelem seu CRP”; “Cristão não tem direito a coisa alguma”; “Desejo que lhe agridam fisicamente na via pública”, foram alguns dos impropérios reproduzidos pelo religioso, que ainda ressaltou ter omitido as passagens de conteúdo ainda mais violento.
A defesa da liberdade de consciência profissional
Rafael Nery assegurou que monitora o desenrolar dos acontecimentos há um período considerável e afirmou, categoricamente, que jamais identificou, nas manifestações públicas da psicóloga, qualquer diretriz ou recomendação que colidisse com os preceitos estabelecidos pelo Código de Ética que rege a profissão no país.
“Não possuo qualquer vínculo de amizade ou contato prévio com a Larissa, nunca dialoguei com ela. No entanto, tenho observado a situação de perto e posso assegurar: não há, em suas orientações, absolutamente nada que contrarie o que preconiza o código deontológico do Conselho Federal de Psicologia.”
Pelo contrário, argumenta o pastor, a especialista reitera de forma constante valores fundamentais como a soberania da vontade do paciente, a observância da liberdade individual e a repulsa a qualquer modalidade de proselitismo ou coerção ideológica no espaço terapêutico.
“Ela enfatiza repetidamente o imperativo de se honrar a autonomia do paciente, de não se fazer apologia religiosa, doutrinação moral ou panfletagem política durante as sessões de atendimento psicológico.”
Ao encerrar sua fala, Nery externou seu desalento com a omissão de setores influentes da opinião pública e das instituições diante do caso, concluindo que há uma dinâmica velada de segregação enfrentada pelos cristãos na sociedade brasileira.
“Tenho a plena convicção de que a grande imprensa não dedicará uma linha sequer a esse episódio, tampouco haverá qualquer mobilização do aparato judicial ou das forças de segurança para estender proteção a essa mulher que está sob risco iminente de morte.”
E finalizou com uma contundente observação: “Há, sim, uma perseguição de matiz religioso contra os cristãos naquela que é considerada a maior nação cristã do planeta.”
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