Michelle Bolsonaro critica desfile de Escola de Samba: “Zombaria”

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) manifestou-se publicamente, na segunda-feira (16), contra uma das alas apresentadas no desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí. Em publicação no Instagram, ela classificou a fantasia como um “escárnio que expõe a fé cristã”.
A ala intitulada “Neoconservadores em Conserva” era composta por foliões vestidos com fantasias de lata, cujo rótulo exibia a imagem de um casal heterossexual com dois filhos e os dizeres “Família em Conserva”. De acordo com a sinopse oficial da agremiação, a alegoria representava “a dita família tradicional” e grupos associados ao neoconservadorismo no Brasil, incluindo evangélicos, representantes do agronegócio, uma mulher de classe alta e defensores do regime militar.
Michelle Bolsonaro afirmou que o desfile promoveu “zombaria e humilhação” contra os evangélicos e conclamou a Frente Parlamentar Evangélica a se posicionar oficialmente. “Dizem que o país é laico, mas laicidade não autoriza zombaria, nem humilhação. O que foi apresentado era conhecido, foi permitido e feriu milhões de brasileiros”, declarou.
Reações de Lideranças Conservadoras
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), classificou a fantasia como “inadmissível” e afirmou que adotaria “as medidas cabíveis”. Para o parlamentar, o episódio configurou tentativa de “ridicularizar os mais de 70 milhões de cristãos brasileiros”, agravada pelo fato de a escola receber verbas públicas.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) sustentou que o governo federal teria tido acesso prévio ao roteiro completo da escola e, dessa forma, “homologado esse ato de ridicularizar a igreja evangélica em uma avenida em nome da liberdade artística”. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) relacionou a polêmica ao cenário eleitoral. “A sua família é zombada, a sua fé é uma piada, mas nas eleições querem seu voto”, escreveu, sugerindo que o episódio seja lembrado nas urnas.
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nota em defesa do desfile, classificando-o como “manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural” e ressaltando a autonomia da escola, sem que houvesse configuração de propaganda eleitoral antecipada.
Contexto do Desfile e Ações Judiciais
A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial do Carnaval carioca com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A apresentação ocorreu na noite de domingo (15), com duração de 79 minutos, dentro do limite regulamentar. Lula assistiu ao desfile do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) e aliados, chegando a descer à pista para cumprimentar o mestre-sala e a porta-bandeira da agremiação.
Além das críticas a setores conservadores, o desfile também incluiu referências negativas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço “Bozo” em um dos carros alegóricos, e menções ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
A escolha do enredo já havia motivado tentativas de impugnação antes do carnaval. O partido Novo ingressou com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola, mas o pedido foi negado pelo ministro relator Aroldo Cedraz, que entendeu que a distribuição dos recursos obedece a critérios objetivos e isonômicos entre as agremiações do Grupo Especial.
Paralelamente, Damares Alves e o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) ajuizaram ações na Justiça Federal contra o presidente em razão do enredo, ambas rejeitadas. Um pedido de proibição do desfile também foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com: GospelMais.
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