11 cristãos são mortos e 18 ficam feridos em ataque

As Forças Armadas Sudanesas (SAF) realizaram um ataque com drone na quarta-feira, 25 de dezembro, no estado de Kordofan do Sul, no Sudão, e a ação matou pelo menos 11 cristãos que seguiam para as celebrações de Natal, segundo fontes citadas no relato. Um advogado cristão da região afirmou que ao menos 18 pessoas ficaram gravemente feridas quando membros da congregação se dirigiam à Igreja Episcopal do Sudão, em Julud, na área de Biyam Jald, na manhã de Natal.
O advogado pediu anonimato e declarou ao Notícias da Estrela da Manhã: “O prédio da igreja não foi atingido, mas uma congregação que marchava em procissão em direção à igreja foi alvejada”.
O Movimento Popular de Libertação do Sudão–Norte (SPLM-Norte) e a Aliança da Fundação informaram números diferentes para o mesmo episódio. As duas entidades relataram 12 civis mortos e 19 feridos na área de Biyam Jald, em Kordofan do Sul, e o Sudan Tribune publicou que a região é controlada pelo SPLM-Norte. O SPLM-Norte afirmou: “O drone teve como alvo civis que estavam celebrando o Natal”.
A sequência de ataques com drones em Kordofan do Sul inclui relatos anteriores de episódios semelhantes. As Forças Armadas Sudanesas (SAF) foram apontadas como responsáveis por um ataque em 29 de novembro, contra um centro médico na área de Kumi, com 12 mortos e 19 feridos, incluindo crianças e mulheres. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou que um novo ataque com drone ocorreu em 5 de dezembro, na localidade de Ghadeer, em Kalogi, e matou mais de 10 crianças de 5 a 7 anos dentro de um jardim de infância.
A guerra entre as Forças de Apoio Rápido (RSF) e as Forças Armadas Sudanesas (SAF) começou em abril de 2023 e, desde então, o conflito se expandiu para Cartum e outras áreas do país. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR) foi citado com a estimativa de dezenas de milhares de mortos e mais de 12 milhões de deslocados dentro e fora das fronteiras do Sudão.
A organização Portas Abertas, na Lista Mundial de Perseguição de 2025, afirmou que houve aumento no número de cristãos mortos e agredidos sexualmente, além de ataques a casas e comércios cristãos. A WWL de 2025 declarou: “Cristãos de todas as origens estão presos no caos, sem poder fugir. Igrejas são bombardeadas, saqueadas e ocupadas pelos grupos em guerra”.
O Joshua Project estimou que o Sudão é 93% muçulmano, com adeptos de religiões étnicas tradicionais representando 4,3% da população, enquanto os cristãos constituem 2,3%. A Lista Mundial de Perseguição de 2025 colocou o Sudão em 5º lugar entre os 50 países onde é mais difícil ser cristão, após o país ocupar a 8ª posição no ano anterior, e citou que o Sudão apareceu na 13ª posição em 2021.
O conflito atual foi associado ao período em que RSF e SAF compartilhavam o governo militar após o golpe de segunda-feira, 25 de outubro de 2021. O general Abdelfattah al-Burhan foi identificado como líder das SAF, e Mohamed Hamdan Dagalo como líder das RSF e então vice na estrutura de poder. Em março de 2023, partidos civis concordaram com uma estrutura para retomar uma transição democrática no mês seguinte, e divergências sobre a organização militar impediram a aprovação final, conforme a narrativa apresentada.
Abdelfattah al-Burhan defendeu a integração das RSF ao exército regular em dois anos, enquanto Mohamed Hamdan Dagalo aceitaria a integração em no mínimo 10 anos. A descrição incluída no material também relacionou as RSF a raízes nas milícias Janjaweed, citadas como parte do histórico de apoio ao ex-presidente Omar al-Bashir no combate a rebeldes.
A queda de Omar al-Bashir ocorreu em abril de 2019, após 30 anos no poder, e o governo de transição civil-militar revogou algumas disposições da sharia, proibiu a classificação de qualquer grupo religioso como “infiel” e revogou leis de apostasia que tornavam o abandono do Islã punível com a morte, segundo a cronologia descrita. O golpe de segunda-feira, 25 de outubro de 2021 foi associado ao temor, entre cristãos, de retorno de aspectos mais repressivos da lei islâmica.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos retirou o Sudão, em 2019, da lista de Países de Preocupação Especial (CPC), que se envolvem em ou toleram “violações sistemáticas, contínuas e flagrantes da liberdade religiosa”, e o colocou em uma lista de vigilância; o país havia sido designado como CPC de 1999 a 2018. Em dezembro de 2020, o Departamento de Estado removeu o Sudão de sua Lista de Vigilância Especial.
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