“Eu me sentia como Jonas” – Comunhão

Antes de lançar seu primeiro projeto gospel, cantora afirma que passou anos resistindo ao direcionamento que recebeu de Deus
Durante entrevista à Revista Comunhão, a cantora Luiza Possi revelou que enfrentou cerca de três anos de resistência antes de assumir o caminho que hoje define como um chamado de Deus. Segundo a artista, o processo foi marcado por dúvidas, tentativas de manter os planos que havia construído para a carreira e receios de unir fé e profissão.
Ao falar sobre essa fase, Luiza comparou sua experiência à história bíblica de Jonas, conhecido por tentar fugir da missão recebida de Deus.
“Eu me sentia muito como Jonas, que ouviu o chamado e fez tudo para não ir”, afirmou.
A cantora contou que, mesmo sentindo um direcionamento para a música cristã, continuava investindo em projetos em outras áreas. Com o passar do tempo, porém, percebeu que os caminhos que havia planejado não avançavam como imaginava.
“Eu fiz milhões de planos, milhões de projetos sobre outras coisas, e as portas todas iam se fechando. O caminho foi se estreitando”, relatou.
Experiência traumática na infância
Durante a entrevista, Luiza compartilhou uma experiência vivida aos 11 anos de idade que, segundo ela, influenciou sua relação com o ambiente evangélico por muitos anos.
A artista contou que participava de uma reunião religiosa acompanhando a mãe de uma amiga quando viveu uma situação que a marcou profundamente.
“Começaram a falar que eu tinha o diabo no corpo. Foi uma experiência muito traumática”, revelou.
Segundo a cantora, o episódio gerou medo e afastamento em relação ao contexto evangélico.
“Aquilo me fez ter uma aversão, um pavor”, disse.
Ela afirma que esse acontecimento ajuda a explicar por que sua aproximação com o cristianismo ocorreu de forma gradual e cercada de questionamentos.
O início da mudança
Apesar das resistências, Luiza conta que houve um momento em que sentiu de forma mais clara o direcionamento para a música gospel. Segundo a artista, enquanto estava sentada sozinha em uma igreja, ouviu de um integrante da congregação que conseguia vê-la cantando no altar e interpretando canções próprias.
Inicialmente, a declaração causou desconforto. Pouco tempo depois, porém, ela afirma ter recebido uma mensagem que se repetiria nos dias seguintes.
“Escreva sobre nós.”
A partir desse período, a cantora começou a compor músicas inspiradas em sua caminhada espiritual. Mesmo assim, ainda tentou entregar suas composições para outros intérpretes do segmento gospel.
“Eu ainda quis dar as músicas para uma cantora gospel. Mas eu sentia Deus falando: ‘É para você contar a nossa história’”, contou.
Seguir sem compreender tudo
Outro ponto destacado por Luiza foi a forma como passou a lidar com o chamado recebido. Segundo a cantora, nem sempre houve compreensão imediata sobre os motivos que a levaram por esse caminho.
“Tem momentos em que eu não entendo por que Deus me chamou. Mas Ele não me chamou para entender. Me chamou para seguir.”
Para a artista, uma das principais mudanças em sua trajetória foi substituir a necessidade de controle pela disposição de obedecer. Ela afirma que encontrou confirmação ao perceber o impacto de seus testemunhos e canções na vida de pessoas que dificilmente teriam contato com uma mensagem cristã por outros meios.
Uma nova fase
Hoje, Luiza Possi afirma enxergar sua trajetória como parte de um processo construído ao longo dos anos. Ao relembrar os caminhos percorridos antes de ingressar na música gospel, evita classificá-los como erros.
“Se todos os caminhos que eu segui me trouxeram até aqui, então eles não foram errados. Foram passos.”
O lançamento de seu projeto gospel marca uma nova etapa na carreira da cantora. Para ela, no entanto, a transformação começou muito antes da estreia no segmento cristão, quando decidiu deixar de resistir ao direcionamento que acreditava receber de Deus.
Assista à entrevista com Luiza Possi no Comunhão Entrevista:
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