“Igreja precisa contextualizar sem perder essência”, diz autora

“Igreja precisa contextualizar sem perder essência”, diz autora


Tallita Todeschini afirma que copiar tendências não aproxima jovens e defende igrejas mais preparadas para o tempo atual

Por Karina Garcia

A relação entre igreja, cultura e modernidade continua provocando debates dentro do meio cristão. Em entrevista ao portal Comunhão, a escritora Tallita Todeschini afirmou que muitas igrejas ainda têm dificuldade de equilibrar relevância cultural e fidelidade bíblica. Para a autora do livro “Kalós: A Beleza Entre Nós”, contextualizar a mensagem do evangelho não significa copiar tendências, mas compreender o tempo presente sem abandonar princípios cristãos.

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Segundo Talita, cultura e fé nunca estiveram completamente separadas.  Para ela, a igreja pode utilizar arte, linguagem atual e elementos culturais, desde que exista um processo de “ressignificação”. “Nós não podemos simplesmente pegar a arte como ela está sendo realizada fora dos valores do Reino de Deus e imitá-la dentro da igreja. Precisamos recaracterizar isso à luz das Escrituras”, explicou.

Durante a conversa, a autora afirmou que um dos maiores erros das igrejas atuais é acreditar que modernização, por si só, garante relevância. Ela diferencia contextualização bíblica de uma adaptação superficial feita apenas para atrair público.

“Essa contextualização despreocupada pega o que está na cultura e simplesmente imita dentro da igreja. O problema é que muitos desses elementos carregam valores que entram em conflito com o evangelho. Quando isso acontece sem discernimento bíblico, a igreja corre o risco de transformar a fé em produto de consumo”, afirmou.

Tallita também comentou sobre a dificuldade histórica de parte do protestantismo em lidar com arte e beleza. Ela citou a própria experiência na Primeira Igreja Batista de Curitiba, onde atua no ministério de adoração desde 2008. Segundo ela, a instalação de vitrais com cenas da vida de Jesus causou resistência entre alguns membros da igreja por medo de idolatria.

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“O medo era de que aquilo ocupasse o lugar de Deus. Mas beleza verdadeira aponta para Deus. Hoje esses vitrais se tornaram motivo de orgulho para a igreja e até atraem visitantes interessados em arte”, contou.

A autora ainda defende que a contextualização vai além da música ou da estética do culto. Para ela, igrejas relevantes são aquelas capazes de compreender as dores e os desafios da sociedade ao redor.

“A contextualização não está só no culto. Ela aparece quando a igreja olha para a comunidade e entende suas necessidades. Uma igreja pode até manter um culto tradicional e ainda assim ser relevante se ela souber acolher, servir e anunciar o evangelho de forma compreensível para as pessoas do seu tempo”, disse.

Comportamento da geração Z
Na entrevista, Talita também comentou o comportamento da geração Z dentro das igrejas. Segundo ela, muitos jovens já não procuram apenas ambientes modernos, mas profundidade espiritual e ensino bíblico consistente.

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“Por causa das redes sociais e da superficialidade das informações rápidas, essa geração começou a buscar profundidade. Não basta mais a igreja ser moderna. Os jovens querem púlpitos fortes, doutrina sólida e mensagens que façam sentido para a vida real”, afirmou.

A conversa ainda aborda um tema que, segundo Tallita, muitas comunidades evitam enfrentar. Ela afirma que a igreja precisa aprender a lidar com questões atuais sem abandonar princípios bíblicos. Entre os exemplos citados estão debates sobre identidade de gênero, acolhimento e preparo pastoral para receber famílias que vivem realidades diferentes das gerações anteriores.

“A igreja precisa entender o tempo em que está vivendo. Existem discussões que não podem mais ser ignoradas. O desafio é manter fidelidade bíblica sem fechar as portas para as pessoas”, declarou.

Para a autora, igrejas que ignoram essas discussões correm o risco de se afastar das pessoas ao redor. “A contextualização hoje não está mais só no culto”, disse. Na visão dela, comunidades relevantes são aquelas capazes de anunciar o evangelho sem perder a capacidade de ouvir as dores e dúvidas do tempo presente.

Para Talita, o evangelho continua sendo suficiente para transformar vidas, mas a forma de comunicá-lo precisa considerar a realidade de quem está ouvindo. “Toda igreja tem potencial para alcançar pessoas. A questão é como essa mensagem está sendo anunciada”, concluiu.

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Fonte original

PHS GOSPEL

A Rádio PHS Gospel nasceu na internet em 02 de maio de 2012, com o propósito de evangelizar por meio da música gospel e levar a Palavra de Deus a pessoas de todo o Brasil.

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