Cristãos enfrentam repressão crescente na Nicarágua, relata ONG

Um relatório divulgado pela organização Christian Solidarity Worldwide apontou 309 violações à liberdade religiosa na Nicarágua ao longo de 2025, indicando aumento da repressão a grupos cristãos no país.
De acordo com o levantamento, 200 casos envolveram católicos e 108 atingiram cristãos protestantes, incluindo adventistas do sétimo dia. O documento também registra a aplicação de “medidas cautelares” a 36 líderes religiosos, número superior ao triplo do registrado em 2024. Essas medidas exigem comparecimento semanal às delegacias, comunicação prévia de atividades e autorização para deslocamentos entre municípios.
O relatório indica ainda que 228 dos 309 casos envolveram ameaças ou assédio, atribuídos a agentes do governo ou grupos aliados. Além disso, o governo revogou o status legal de organizações independentes, elevando para mais de 5.600 o total de entidades proibidas. Em 2025, ao menos 18 dessas organizações tinham caráter religioso, sendo 15 protestantes e três católicas.
Entre as instituições afetadas está a Associação de Batistas Fundamentalistas Independentes, que perdeu seu registro em fevereiro de 2025. Outras entidades atingidas incluem escolas, emissoras religiosas e organizações assistenciais ligadas a igrejas.
O relatório também descreve ações direcionadas a ordens religiosas. Em 28 de janeiro, cerca de 30 freiras foram expulsas do país em diferentes regiões. Em dezembro, outras oito religiosas receberam ordem de saída imediata e foram levadas até a fronteira com Honduras.
Foram registradas 55 detenções arbitrárias de líderes religiosos, com períodos que variam de horas a anos. Entre os casos citados está o do pastor Rudy Palacios Vargas, preso em 17 de julho de 2025 junto a familiares e membros de sua igreja. Um dos detidos, o ativista Mauricio Alonso Petri, morreu sob custódia em agosto, sem explicações oficiais às autoridades familiares.
O documento também aponta restrições para a atuação da Igreja Católica. O governo proibiu a ordenação de novos padres e diáconos em dioceses como Jinotega, Siuna, Matagalpa e Estelí. Estimativas indicam que cerca de 70% do clero em Matagalpa deixou o país.
Segundo o relatório, houve ainda 33 casos de restrições à liberdade de reunião, incluindo cancelamento de eventos religiosos. Em setembro de 2025, policiais interromperam um culto em uma igreja protestante e ordenaram a evacuação do local.
Também foram registradas limitações à circulação de materiais religiosos. Empresas de transporte foram informadas de que Bíblias e publicações religiosas passaram a integrar uma lista de itens proibidos na entrada do país. Relatos indicam que turistas foram questionados e tiveram materiais confiscados na fronteira.
O relatório menciona ainda o caso do pastor Efrén Antonio Vílchez López, preso desde 2022 e condenado a 23 anos de prisão. Segundo o documento, evidências apresentadas pela defesa não foram consideradas pelo tribunal. Em dezembro de 2024, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos solicitou medidas cautelares em favor do religioso.
O governo liderado por Daniel Ortega e Rosario Murillo não respondeu a comunicações de organismos internacionais, segundo o relatório, e deixou o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Segundo o O Posto Cristãoa CSW destaca que instituições religiosas permanecem entre os poucos setores que manifestam críticas públicas ao governo no país, especialmente desde os protestos de 2018, quando líderes religiosos se posicionaram contra ações policiais durante manifestações.
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